Tecnologia e Cultura Digital
A tecnologia não é neutra. Nunca foi. O que muda de época para época é a velocidade com que esquecemos isso.
Esta é a entrada pela frequência tecnológica. O jardim começa aqui com Lanfranco Aceti e a sua teoria da nuvem como arquivo psicótico - mas o território abre para questões sobre identidade digital, vigilância, poder corporativo e o desejo humano de se dissolver em algo maior.
O que existe aqui
A divisão do humano contemporâneo
- o humano-nublado e o humano-ancorado (átomo) - a divisão contemporânea: o corpo físico que trabalha e morre, e a identidade digital que persiste e é explorada; o ancorado escravizado à manutenção do nublado
O arquivo digital e o poder
- o arquivo como condição de existência (molécula) - Foucault + Aceti + Derrida: a nuvem como condição ontológica ou existência condicionada; a ambiguidade só emerge da combinação dos três
- a nuvem como arquivo psicótico (átomo) - estruturado mas irracional, pessoal mas controlado por corporações com comportamentos psicopáticos
- o arquivo digital e o irreprimível de Derrida (molécula) - Aceti + Derrida: a nuvem amplifica e suprime simultaneamente o arquivo irreprimível; a permanência do dado não é a permanência do significado
O desejo de dissolução
- cupio dissolvi (molécula) - tradição mística/latina + crítica digital: o desejo de dissolução como estrutura afetiva de consentimento à exploração
- o cubo de açúcar como pharmakon (molécula) - Tofts + Derrida/Platão: a dissolução como remédio e veneno; o que prometemos quando queremos desaparecer na nuvem
O binarismo e os seus limites
- supraposicionismo (átomo) - a condição de existir em dois estados simultâneos: material e imaterial, presente e arquivado, vivo e morto
- supraposicionismo e campos de sentido (molécula) - Aceti + Gabriel: o humano-nublado e o ancorado como o mesmo ser em dois campos de sentido com regras distintas
Crítica política
- a nuvem não é revolucionária - reproduz hierarquias (composto) - a Internet prometeu liberdade; a nuvem prometeu conveniência; ambas reproduziram as estruturas de poder que prometiam dissolver
MOCs relevantes no Campo
- MOC - Tecnologia e Cultura Digital - mapa dedicado a este território; organizado por tensões e caminhos de leitura
- MOC - Massa Crítica - mapa geral do jardim
- MOC - Epistemologia e Método -
supraposicionismo e campos de sentidocria ponte direta com Gabriel
Perguntas abertas
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O preço da nuvem - os custos da existência digital (financeiros, temporais, laborais) são distribuídos de forma equitativa? Quem paga o quê, e para benefício de quem?
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Identidade como dado - quando o humano-nublado é redefinido pela interpretação corporativa de uma parte, que consequências tem para o humano-ancorado? Quem tem o direito de curar a identidade digital de outrem?
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A censura como estética - a censura algorítmica selectiva (mamilos sim, violência não) não é apenas política: é também uma posição estética sobre o corpo. Que corpo é este que a nuvem aceita?
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O irreprimível em perigo - se o arquivo digital pode ser afogado no trivial por algoritmos, o que acontece à memória coletiva? Quem decide o que persiste?
Notas por criar
- Lanfranco Aceti - entrada própria sobre o autor e o seu percurso entre arte, curadoria e teoria
- Vigilância algorítmica - dos programas PRISM/NSA às plataformas de redes sociais; o controlo como infraestrutura
- A corporação como pessoa - Joel Bakan e a psicopatia corporativa como enquadramento para compreender o comportamento das plataformas digitais
- Paul Virilio - dromocracia e dromologia; a velocidade como instrumento de poder