Ecologia e Economia Política
A crise ecológica não resulta apenas de produzirmos demasiado. Resulta de termos perdido uma cultura da decomposição - material, económica e simbólica.
Esta é a entrada pela frequência da ecologia e da economia política. O jardim começa aqui com uma molécula - e abre para quatro pensadores que a sustentam: Latouche, Bataille, Baudrillard e Douglas.
O que existe aqui
A crítica do crescimento
- decrescimento (átomo) - Serge Latouche: o crescimento económico não é um facto natural, é uma escolha política; crescer e desenvolver não são sinónimos; a crise ecológica não tem solução dentro do paradigma do crescimento
A teoria do excesso
- a economia geral e a dissipação do excesso (átomo) - Georges Bataille: o problema da vida não é a escassez, é a abundância; o excesso que não encontra saídas produtivas encontra saídas destrutivas; a crise ecológica é o sistema a gastar o excesso da única forma que conhece
A crítica do consumo
- acumulação simbólica (átomo) - Jean Baudrillard: o que se consome são signos, não objetos; o desejo de distinção é estruturalmente insaciável; a crise ecológica é também uma crise do modelo de identidade que só se constrói por acumulação
A teoria do lixo
- o lixo é matéria fora do lugar (átomo) - Mary Douglas: o lixo não tem natureza intrínseca; é o que não cabe no sistema de classificação vigente; aplica-se ao lixo material, social, simbólico e digital
A síntese
- A crise ecológica contemporânea (molécula) - os quatro pensadores convergem: a crise não é só de produção excessiva, é de perda de cultura da decomposição; acumular sem dissipar é um erro sistémico, não apenas moral
Pontes com outros territórios
- a decomposição como transformação (Biologia/Sheldrake) - a decomposição como condição de possibilidade da vida nova; o carvão como evento histórico de decomposição em falta
- acumulação simbólica liga diretamente a o humano-nublado e o humano-ancorado (Tecnologia/Aceti) - a acumulação simbólica não morreu com os objetos físicos; migrou para o arquivo digital
MOCs relevantes no Campo
- MOC - Ecologia e Economia Política - mapa dedicado a este território
- MOC - Massa Crítica - mapa geral do jardim
- MOC - Biologia e Sociedade - onde a decomposição biológica sustenta a decomposição cultural
Perguntas abertas
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A decomposição como prática - se a crise ecológica é uma crise de incapacidade de deixar desaparecer, o que seria uma política ou uma economia que cultivasse a decomposição? Que instituições precisaria?
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O consumo simbólico no digital - se a acumulação simbólica migrou para o digital (seguidores, dados, perfis), a crise ecológica dos objetos resolve-se ou desloca-se? Os servidores que guardam o humano-nublado também consomem energia.
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Bataille e o capitalismo verde - se o excesso tem de ser gasto, pode o capitalismo "verde" ser uma forma de gasto produtivo? Ou está estruturalmente comprometido com a acumulação?
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O lixo como categoria política - quem decide o que é lixo numa sociedade? As populações expulsas dos sistemas de classificação dominantes - como resistem a serem tratadas como "matéria fora do lugar"?
Notas por criar
- Serge Latouche - entrada própria sobre o autor e o projeto do decrescimento
- Georges Bataille - entrada própria; a parte maldita e a economia geral
- Mary Douglas - entrada própria; pureza, perigo e classificação
- Jean Baudrillard - entrada própria; simulacro, consumo e signos
- Jason Hickel - Less is More (2020); o decrescimento como proposta política concreta
- Anna Tsing - a economia do cogumelo matsutake nas ruínas do capitalismo