Literatura
A literatura não é um ornamento do pensamento social - é um dos seus modos mais honestos. O que um romance consegue dizer sobre a condição humana, a ciência social por vezes não consegue sequer formular.
Esta é a entrada pela frequência literária. O jardim começa aqui com David Foster Wallace - mas o território é muito mais amplo.
O que existe aqui
Literatura e sociedade
- consumo de substâncias + literatura (quark) - ponto de partida ainda em aberto: o impacto do consumo de substâncias na produção literária. Mescalina, cannabis, e o que a alteração do estado de consciência produz na escrita.
Literatura como diagnóstico cultural
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A adição como metáfora civilizacional em Infinite Jest (composto) - Wallace usa a adição - em sentido alargado, muito além das substâncias - como figura do desejo na modernidade tardia. A arquitetura dual do romance (academia de ténis + casa de recuperação) como espelho da economia da compulsão. Os Alcoólicos Anónimos como depositários de uma sabedoria que a cultura letrada despreza.
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A anedonia em Wallace (composto) - a incapacidade de sentir prazer como condição existencial e diagnóstico cultural. Numa sociedade saturada de estímulos, a adição não é busca de prazer mas tentativa de reaceder a ele. O cartucho fílmico letal como hipérbole desta lógica: o prazer perfeito que coincide com a sua própria abolição. Articula-se com a depressão, com o solipsismo e com a Nova Sinceridade.
MOCs relevantes no Campo
- MOC - Massa Crítica - o mapa geral do jardim; inclui o fio Wallace em construção
Não existe ainda um MOC exclusivamente literário. Quando o território tiver mais densidade - pelo menos duas ou três notas por sub-tema - fará sentido criar um em 06 Campo.
Perguntas abertas
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O romance como método - o que pode a literatura dizer sobre a sociedade que a sociologia não consegue formular? Wallace, Houellebecq, Franzen: romancistas como diagnósticos culturais involuntários.
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A validade do conhecimento literário - uma análise de um romance pode ser evidência sobre algo real? Que tipo de validade epistemológica tem a leitura literária? (liga a campos de sentido - a literatura como campo de sentido múltiplo)
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Ironia e sinceridade como posições éticas - a ironia pós-moderna não é apenas um estilo; é uma forma de estar no mundo. Wallace diagnosticou-a como anestesia. A Nova Sinceridade que propôs como antídoto - funciona? Ou é apenas outra forma de ironia?
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Adição e anedonia como patologias sociais - a anedonia (incapacidade de sentir prazer) que percorre Wallace não é um problema individual. É o sintoma de uma estrutura social. Qual?
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Substâncias e criação - a relação entre alteração química do estado de consciência e produção literária tem uma longa história. É uma relação de causalidade, de correlação, ou de outra coisa?
Notas por criar
- A ironia pós-moderna - a ironia como posição ética e estética; o diagnóstico de Wallace
- A Nova Sinceridade - a proposta de Wallace como resposta à ironia; as suas contradições
- E Unibus Pluram - o ensaio de Wallace sobre televisão, ficção e a armadilha da ironia
- O cartucho fílmico letal - o MacGuffin de Infinite Jest como teoria do entretenimento total
- A depressão em Wallace - referenciada em A anedonia em Wallace
- Wittgenstein e Wallace - referenciado em A anedonia em Wallace; o solipsismo como condição contemporânea
- David Foster Wallace - entrada própria para o autor