acumulação simbólica
Na Sociedade de Consumo (1970), Baudrillard propõe que o que se consome nas sociedades contemporâneas não são objetos - são signos. O valor de uso (o que um objeto faz) e o valor de troca (o que custa) foram suplantados pelo valor simbólico: o que o objeto diz sobre quem o possui.
Acumular não é, portanto, apenas um comportamento material. É um comportamento semiótico. Colecionar objetos é construir identidade através de sistemas de diferenças: tenho isto, logo sou isto; não tenho aquilo, logo não sou aquilo.
A consequência ecológica: se o que se consome é simbólico, a saciedade é impossível. Os símbolos não saturam, dado que o desejo de distinção é estruturalmente insaciável. Uma economia orientada para o consumo simbólico não pode parar, porque a função dos objetos não é satisfazer necessidades, mas produzir diferenças. E as diferenças são infinitas.
A acumulação simbólica explica porque é que o aumento do nível de vida não produz mais satisfação: não é a quantidade de objetos que importa, é a posição relativa no sistema de signos. Mais objetos para todos não resolve a escassez simbólica. Redistribui-a.
A crise ecológica não é apenas uma crise de produção excessiva. É uma crise de um modelo de identidade que só se constrói por acumulação.
Cf. A crise ecológica contemporânea · decrescimento · o humano-nublado e o humano-ancorado
Fonte: Jean Baudrillard, A Sociedade de Consumo (1970)