supraposicionismo
Aceti propõe o supraposicionismo como nome para um período histórico-filosófico emergente - o período em que os computadores quânticos e a sobreposição de estados subatómicos tornam possível ser duas coisas ao mesmo tempo.
A superposição quântica - em que uma partícula existe em dois estados simultaneamente até ser observada - torna-se metáfora de uma condição existencial: estar presente e arquivado, vivo e morto, material e imaterial, aqui e na nuvem.
O supraposicionismo seria, assim, a resposta pós-pós-moderna à crise do binarismo:
- Nem alter-, nem digi-, nem metamoderno
- Uma condição em que os opostos não se reconciliam (síntese hegeliana) nem se eliminam
- Mas coexistem, sem resolução, como estados simultâneos
A nuvem é o protótipo desta condição: não é nem completamente material (tem custos físicos, servidores, energia) nem completamente imaterial (é acessível em qualquer lugar, parece etérea). Quer as duas coisas - e obtém-nas, mas a um custo que ainda não foi totalmente contabilizado.
O supraposicionismo não é uma utopia. É um diagnóstico de uma condição que já existe e para a qual ainda não temos linguagem filosófica adequada.
Fonte: Lanfranco Aceti, Wet Me (2017)