a decomposição como transformação

Sem decompositores, a vida acumularia em massa inerte. O carvão existe porque durante milhões de anos nenhum organismo havia evoluído a capacidade de digerir lenhina - a matéria orgânica acumulou-se em lugar de circular. Os fungos acabaram por consegui-lo. O período Carbonífero terminou, em parte, porque os fungos aprenderam a comer madeira.

A decomposição não é um fim. É a condição de possibilidade para nova vida.

Sheldrake trata a decomposição como uma posição filosófica tanto quanto biológica. A disponibilidade para pensar seriamente sobre a putrefação e a dissolução - contra a preferência cultural pelo crescimento, pela acumulação, pela solidez - conecta o livro a correntes no pensamento do Decrescimento e nas humanidades ecológicas.

O gesto final do livro torna isso literal: Sheldrake enterra um exemplar de A Vida Secreta dos Fungos em terra de jardim e deixa os fungos digeri-lo. Um gesto que é simultaneamente poético, filosófico e genuinamente divertido.

A decomposição é o que torna o jardim possível.

Fonte: Merlin Sheldrake, A Vida Secreta dos Fungos (2024)