MOC - Ecologia e Economia Política

A crise ecológica não é um acidente. É a consequência lógica de um sistema que sabe acumular mas esqueceu como dissipar.

Este mapa organiza-se em torno de uma tensão central:

economia restrita               economia geral (Bataille)
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gerir a escassez                gastar o excesso
acumular                        dissipar
crescimento como fim            decrescimento como saúde
saciedade possível              desejo estruturalmente insaciável
lixo como falha                 lixo como categoria relacional

A crise ecológica como pano de fundo - não como catástrofe futura, mas como diagnóstico do presente.

Fonte central: molécula - A crise ecológica contemporânea.


A crítica do crescimento - Serge Latouche

O crescimento é uma escolha, não uma lei.

Tensão central: "crescimento verde" e "desenvolvimento sustentável" são, nos termos de Latouche, contradições nos termos em que o crescimento é o objetivo. A questão não é como crescer de forma diferente, mas se se deve crescer.


A teoria do excesso - Georges Bataille

O problema da vida não é a escassez. É a abundância.

Tensão central: o capitalismo não tem uma teoria do excesso. Tem apenas uma teoria da acumulação. O excesso que não encontra saída explode - ecologicamente, socialmente, politicamente.


A crítica do consumo - Jean Baudrillard

O que se consome são signos, não objetos.

Tensão central: a crise ecológica não se resolve aumentando a eficiência da produção, porque o motor do consumo não é a necessidade material. É a produção de diferenças simbólicas. Um consumo mais eficiente continua a ser consumo ilimitado.


A teoria do lixo - Mary Douglas

O lixo não tem natureza intrínseca.

Tensão central: se o lixo é relacional e não intrínseco, então "tratar bem o lixo" não é suficiente. É preciso redesenhar os sistemas de classificação que produzem o lixo. A reciclagem não toca nas categorias; o decrescimento sim.


A ponte com a biologia - Sheldrake


A síntese - onde os cinco convergem


Caminhos de leitura

Começar pela crítica económica:
decrescimentoa economia geral e a dissipação do excessoA crise ecológica contemporânea

Começar pelo consumo:
acumulação simbólicao lixo é matéria fora do lugarA crise ecológica contemporânea

Percurso completo:
decrescimentoacumulação simbólicaa economia geral e a dissipação do excessoo lixo é matéria fora do lugarA crise ecológica contemporânea


Pontes com outros territórios


Perguntas em aberto

  1. A dissipação como política - se o excesso tem de ser gasto, que formas de gasto produtivo são possíveis numa democracia? O festim de Bataille, o dom de Mauss, o decrescimento de Latouche - têm algo em comum?

  2. O consumo digital e a crise ecológica - os servidores que guardam o humano-nublado consomem energia física. A acumulação simbólica digital tem pegada ecológica material. Onde está o lixo do digital?

  3. Redesenhar as categorias - se o lixo é relacional, uma política ecológica radical teria de redesenhar os sistemas de classificação que produzem o lixo. O que significa isso concretamente na organização urbana, na produção industrial, na distribuição?

  4. Bataille e o capitalismo verde - pode o capitalismo verde ser uma forma de gasto produtivo do excesso energético? Ou está estruturalmente comprometido com a acumulação, e portanto incapaz de ser uma saída genuína?


Notas por criar


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