Biologia
A biologia não é uma ciência sobre a vida. É uma ciência que a vida usa para se compreender - e o que descobre frequentemente desfaz o que a filosofia e as ciências sociais tinham dado como certo.
Esta é a entrada pela frequência biológica. O jardim começa aqui com Merlin Sheldrake e os fungos - mas o território abre para questões sobre indivíduo, agência, cognição e cooperação que nenhuma disciplina sozinha consegue esgotar.
O que existe aqui
O indivíduo e os seus limites
- o líquen como organismo que é a relação (átomo) - o organismo que é a simbiose; a fronteira do self como processo provisório, não como substância fixa
- simpoiese (átomo) - Donna Haraway: "fazer-juntos" em vez de "auto-fazer"; os sistemas vivos são co-constituídos antes de serem individuais
- o líquen e o indivíduo - a fronteira do self como ficção (molécula) - biologia + filosofia da subjetividade; o líquen como contra-exemplo biológico à premissa liberal do indivíduo delimitado
Cognição e inteligência
- cognição distribuída sem cérebro (átomo) - redes miceliais que resolvem labirintos sem processador central; a inteligência como tipo de organização, não de substância
- cognição distribuída e campos de sentido (molécula) - fungos + Gabriel: se a inteligência é propriedade de organização, diferentes campos de sentido têm diferentes arquiteturas cognitivas
Cooperação, competição e redes
- a rede micorrízica - cooperação e competição no mesmo sistema (átomo) - a wood wide web não é uma utopia; cooperação e competição coexistem na mesma rede
- o micélio como rizoma biológico (molécula) - Sheldrake + Deleuze/Guattari: o rizoma instanciado biologicamente; a evolução descobriu esta arquitetura antes da filosofia
- micélio, zettelkasten e jardim digital - redes sem centro (molécula) - três sistemas sem hierarquia, sem centro; a prova evolutiva de que esta forma de organização funciona
Agência e comportamento
- o cordyceps e a agência parasitada (molécula) - biologia + filosofia da agência; comportamento indistinguível do voluntário produzido por outro organismo; o que revela sobre self e autoria
- o microbioma como coautoria do comportamento (molécula) - biologia (eixo intestino-cérebro) + filosofia da ação; nunca fomos os únicos autores do nosso comportamento
Consciência e dissolução
- psilocibina e a rede de modo padrão (molécula) - farmacologia + neurociência + filosofia do self; a psilocibina produz experiencialmente o que a biologia dos líquenes demonstra estruturalmente
- o fungo dissolve experiencialmente o que o micélio dissolve ontologicamente (molécula) - psilocibina + líquenes: dois mecanismos fúngicos que apontam para a mesma conclusão sobre a natureza do self
Decomposição e transformação
- a decomposição como transformação (átomo) - a putrefação como condição de possibilidade da vida; a política da decomposição contra a cultura da acumulação
Implicações para as ciências sociais e o conhecimento
- o fungo como modelo epistemológico para as ciências sociais (composto) - o que a micologia desafia nas premissas do indivíduo, da agência e da cooperação
- simbiose como método (composto) - a inconclusão biológica de Sheldrake como postura epistemológica; a fidelidade ao objeto como recusa de resolução forçada
MOCs relevantes no Campo
- MOC - Biologia e Sociedade - mapa dedicado a este território; organizado por tensões e caminhos de leitura
- MOC - Massa Crítica - mapa geral do jardim
- MOC - Epistemologia e Método - onde as moléculas
cognição distribuída e campos de sentidoemicélio, zettelkasten e jardim digitalcriam pontes com Gabriel e Ahrens
Perguntas abertas
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O indivíduo como ilusão útil - se os líquenes e os microbiomas mostram que a individualidade é uma fronteira provisória, porque é que a mantemos como unidade de análise? É conveniente metodologicamente? É ideológica? É inevitável?
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Cognição sem sujeito - se a inteligência pode ser distribuída sem centro, o que significa "compreender" ou "decidir" num sistema social? As instituições "pensam"?
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A política da decomposição - a cultura capitalista valoriza o crescimento, a acumulação, a solidez. Sheldrake reabilita a putrefação como necessidade vital. O que seria uma política ou uma economia que levasse isso a sério?
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Simbiose e exploração - a rede micorrízica mostra que mutualismo e parasitismo coexistem. O mesmo acontece nas relações sociais. Será a distinção cooperação/exploração analiticamente útil ou empiricamente falsa?
Notas por criar
- Merlin Sheldrake - entrada própria sobre o autor e o método do livro
- Donna Haraway - entrada própria; simpoiese, ficção científica e pensamento multiespécies
- Anna Tsing - o cogumelo matsutake e as assemblagens polifónicas; etnografia multiespécies
- Lynn Margulis - a simbiose como motor da evolução; o argumento científico fundacional