a economia geral e a dissipação do excesso

A economia convencional - o que Bataille chama a economia restrita - pergunta como gerir a escassez: como distribuir recursos limitados entre necessidades ilimitadas. É o problema dos manuais de economia, do orçamento familiar, da política fiscal.

Bataille propõe outra pergunta, mais fundamental: o que fazer com o excesso?

A vida produz mais energia do que consome para se reproduzir. O sol irradia mais energia do que qualquer sistema pode absorver. Os organismos crescem além do necessário. As sociedades acumulam além do utilizável. O problema da vida não é a escassez. É a abundância.

Esta energia excedente tem de ser gasta. Se não encontrar saídas produtivas - o festim, o dom, o luxo, o sagrado, a arte - encontra saídas destrutivas: a guerra, o colapso, a catástrofe.

A economia geral de Bataille é a teoria deste excesso. Não pergunta como acumular. Pergunta como gastar bem.

A implicação ecológica: uma economia que só sabe acumular e nunca dissipar é, estruturalmente, uma máquina de catástrofe. A crise ecológica não é um defeito do sistema. É o sistema a gastar o excesso da única forma que conhece.

Cf. A crise ecológica contemporânea · a decomposição como transformação

Fonte: Georges Bataille, A Parte Maldita (1949)