psilocibina e a rede de modo padrão
A hipótese neurológica dominante sobre o efeito da psilocibina: o composto reduz a atividade na Rede de Modo Padrão (RMP) - a rede cerebral associada à ruminação, ao pensamento auto-referencial e ao self narrativo.
A experiência de "dissolução do ego" que muitos utilizadores relatam é, neste enquadramento, a experiência da RMP a silenciar-se - do self construído a perder temporariamente o monopólio sobre a experiência.
A investigação clínica ressurgente documenta a eficácia notável da psilocibina no tratamento da depressão resistente, da adição e da ansiedade de fim de vida. O mecanismo é, possivelmente, o mesmo: a interrupção temporária dos padrões de auto-referência que sustentam o sofrimento crónico.
A implicação filosófica: se o self pode ser reduzido a silêncio por um composto fúngico, e se essa redução produz tanto alívio como clareza, então o self não é uma unidade fixa - é um processo construído, passível de ser temporariamente suspenso.
O cogumelo não cria esta compreensão. Torna-a experienciável.
Fonte: Merlin Sheldrake, A Vida Secreta dos Fungos (2024)