decrescimento

O crescimento económico não é um facto natural. É uma escolha política disfarçada de inevitabilidade.

Serge Latouche - economista e um dos principais teóricos do decrescimento - argumenta que a ideia de que as economias devem crescer indefinidamente é uma construção histórica recente, não uma lei da natureza nem um imperativo racional. O PIB crescente como indicador de progresso só faz sentido dentro de um sistema de valores que privilegia a produção e o consumo sobre tudo o resto.

O decrescimento não é recessão. Não é crescimento negativo forçado por colapso. É a proposta de uma transição deliberada para economias que produzem menos, consomem menos e distribuem melhor, dentro dos limites do planeta.

A distinção central de Latouche: crescimento e desenvolvimento não são sinónimos. Uma sociedade pode desenvolver-se - aumentar o bem-estar, a cultura, as relações - sem crescer economicamente. Confundir os dois é o erro fundador da economia dominante.

O que isto implica: a crise ecológica não tem solução dentro do paradigma do crescimento. "Crescimento verde" e "desenvolvimento sustentável" são contradições nos termos em que o crescimento é o objetivo. A questão não é como crescer de forma diferente, mas se devemos realmente crescer.

Cf. A crise ecológica contemporânea · a decomposição como transformação · a economia geral e a dissipação do excesso

Fonte: Serge Latouche, Pequeno Tratado do Decrescimento Sereno (2007)