Princípios Editoriais

Estes princípios não são um filtro - são uma orientação. A diferença importa: um filtro exclui, uma orientação aponta.


Rigor

Rigor não significa linguagem académica nem referências obrigatórias. Significa honestidade intelectual: distinguir o que se sabe do que se supõe, citar as fontes quando existem, não forçar conclusões que o argumento não suporta.

Um texto rigoroso pode ser curto, pessoal e incompleto. O que não pode é ser descuidado com a realidade que descreve.


Relevância social

Interessa-nos o que afeta a vida coletiva - as estruturas que organizam o que fazemos, o que pensamos, o que sentimos e o que nos é permitido ser. Poder, norma, identidade, conflito, coesão, desigualdade, linguagem, ritual: são territórios centrais.

Mas relevância não é urgência jornalística. Um fenómeno pode ser relevante sem ser notícia - e pode ser notícia sem ter a menor relevância para compreender o que se passa.


Abertura ao marginal

Alguns dos melhores ângulos de análise chegam de sítios inesperados: uma nota de rodapé, uma disciplina vizinha, um tema que ninguém trata com seriedade.

O jardim privilegia a serendipidade. Uma reflexão sobre adição em David Foster Wallace pode dizer mais sobre a modernidade tardia do que um paper de sociologia. Um conceito de física pode iluminar uma dinâmica social. O que conta não é a origem - é o que o texto abre.


Inconclusão como valor

Não pedimos teses fechadas. Pedimos pensamento honesto sobre problemas que resistem à solução fácil.

Uma nota que termina com uma pergunta não está incompleta - está a ser fiel ao objeto. A inconclusão é matéria-prima, não falha editorial.


Voz própria

Os textos devem ter voz. Não o tom neutro do relatório nem o estilo impessoal do artigo académico - mas uma perspetiva que se assume como tal.

Isso não significa opinião sem fundamento. Significa que o autor está presente no texto, com os seus ângulos e as suas dúvidas, sem fingir uma objetividade que não existe.


Interdisciplinaridade sem ecletismo

O projeto cruza disciplinas porque nenhuma tem o campo de sentido privilegiado. Psicologia, sociologia, filosofia, ciência política, antropologia, economia - cada uma ilumina partes que as outras não alcançam.

Mas interdisciplinaridade não é juntar referências de áreas diferentes sem as fazer dialogar. O cruzamento tem de produzir algo que nenhuma das partes produzia sozinha.


O que evitamos


Uma nota sobre forma

Não há um formato obrigatório. Um quark de três linhas e um composto de três mil palavras têm o mesmo valor potencial. O que importa é que a forma sirva o conteúdo - não o contrário.


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