cognição distribuída sem cérebro

As redes miceliais resolvem labirintos. Otimizam percursos entre recursos. Respondem adaptativamente a ambientes novos. Fazem-no sem sistema nervoso, sem cérebro, sem qualquer processamento centralizado.

Sheldrake é cuidadoso em não antropomorfizar - não afirma que os fungos "pensam" em qualquer sentido humano. Mas usa a cognição fúngica como alavanca para abrir o próprio conceito de inteligência:

Se a inteligência pode ser distribuída por uma rede, emergindo de interações locais sem coordenação central, então a inteligência não é uma propriedade de um tipo de entidade - é uma propriedade de um tipo de organização.

A consequência é desconfortável para qualquer definição de inteligência que sirva de critério de valor moral ou político: a fronteira entre vida "inteligente" e "não inteligente" torna-se instável. O modelo do cérebro como sede necessária da inteligência é um caso particular, não uma lei universal.

Esta é a tese da mente estendida de Andy Clark e Francisco Varela, instanciada biologicamente antes de ter sido formulada filosoficamente.

Fonte: Merlin Sheldrake, A Vida Secreta dos Fungos (2024)